quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uma luz no fim do túnel

"At least my love has come along / My lonely days are over / And life is like a song"



O dia havia sido chato como todos os outros... o Congresso da faculdade me desgastava muito e me deixava cada vez mais em dúvida se Direito realmente seria uma boa opção. Entrar na faculdade aos 17 anos nos traz uma ideia de maturidade que jamais se torna realidade. A escolha aleatória do curso a fazer nos faz pensar até onde nos deixamos manipular pela vontade alheia ou por pretensões financeiras, embora aquela altura do campeonato nem sequer passava pela minha cabeça desistir da faculdade que agora tomava meu tempo. A vida também não corria da melhor forma: perder a namorada pra alguém pior que você não era exatamente o meu ideal de término de relacionamento, e realmente era mais do que chegada a hora de dar um pontapé na minha vida antiga e tocar pra frente uma vida nova, com novos objetivos e sem pensar muito em se adequar ao que é padrão para todos.

...
Recebi o convite para uma pizza logo após sentar pra mais uma noite de “intensos debates jurídicos”, e não pensei duas vezes em aceitá-lo, já que eu estava extremamente estressado pelo que acontecia ao meu redor, e mais ainda pela inércia de todos à chatice diante dos nossos olhos. Logicamente que, para quem me conhece, essa é uma desculpa das mais simplórias possíveis, pois o principal motivo do aceite para aquela pizza era, na verdade, dois... Dois amigos que iriam acompanhar minha amiga durante nosso divertidíssimo encontro gastronômico, e fazer novas amizades era um ponto crucial para o meu novo projeto de vida.

Já saí bem mais feliz do que entrei no Congresso, e enquanto ouvia Beyoncé no carro tentava de toda forma me apressar e ao mesmo tempo arrumar uma forma de aparentar um look agradável e ao mesmo tempo descolado, tentativa esta totalmente perdida, pois confesso que não estava exatamente bem vestido pra intensidade daquele evento recém-combinado: calça jeans, uma camisa social de um pano mega brega e um cabelo “Elza Soares” compunham meu visual deslumbrante daquela noite.

Enfim, valia a intenção, e naquela altura do campeonato a roupa já não era mais empecilho pra alguém que, pela primeira vez, se sentia a pessoa mais solitária do mundo... Sim, pela minha vida inteira nunca tive problemas com nenhum tipo de lugar ou pessoa, precisando de um mínimo de tempo para me adequar ao lugar onde eu estava e às pessoas que me rodeavam. Mas agora era diferente, e minha cabeça tinha necessidades além do meu entendimento, que nem eu mesmo pude compreender naquele momento, mal sabendo que em pouco tempo aquilo tudo pareceria mais fácil de entender. Mas aquele momento era agoniante, e a simples ideia de ficar sozinho já era aterrorizante por si só... Ali estava a minha oportunidade, a minha luz no fim do túnel.

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