terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Destino

“[...] Mas talvez esse fosse o maior segredo de todos, aquilo que resultou em uma grande confusão amorosa: embora não me conhecesse, Felipe não era um desconhecido pra mim.”



Era difícil acreditar que alguém pudesse se interessar tão rapidamente por um desconhecido qualquer, mas pior ainda era acreditar que, de uma hora pra outra, a vida estava te pregando uma daquelas peças que você jamais acreditou poder viver.

Não... Não foi a primeira vez que vi Felipe. Não foi a primeira vez que perdi a noção de comportamento para adorar cada detalhe do seu corpo. Também não foi a primeira vez que me impressionei com a naturalidade com que Felipe lidava com aquele tipo de assédio: normalmente, como se toda aquela indiscrição não passasse de uma conversa, como essas que rolam entre amigos nos barzinhos, intercaladas por gargalhadas e algumas cervejas...

Pudera eu poder conversar da forma que meu corpo desejava, podendo trocar com ele palavras dos meus mais profundos desejos e anseios com relação ao que eu sentia. Pudera eu sentar-me ao seu lado para gargalhar das mais ínfimas situações, terminando por aproveitar cada instante da nossa “conversa”.

Felipe realmente não era tão desconhecido pra mim... mas imaginava tê-lo esquecido. Era começo de 2009 quando o vi passar em uma de minhas idas ao centro. Como era de se esperar, chamou minha atenção e tudo que eu pude fazer foi segui-lo com meus olhos e entender como era possível sentir algo tão diferente do que comumente sentia por, digamos... meninos.

Não tive coragem pra segui-lo, ou até mesmo tentar ser um pouco mais incisivo e pedir seu telefone, mas ainda nos vimos mais algumas vezes pela cidade, incluindo a noite em que o vi em frente a uma boate gay, ocasião em que o acompanhei até em casa, mais por curiosidade de saber onde morava do que por preocupação.

Mas talvez isso seja o bom da vida: quando você resolve pelo novo, o antigo teima em reaparecer e te perseguir. Quem sabe o melhor não teria sido ir embora, por conta de alguma desculpa esfarrapada inventada naquele instante, e tentar ao máximo evitar um possível reencontro com ele.

Mas não, esse não seria eu. E esse não seria o meu mundo de sonhos, onde aparentemente tudo acontece por mim e para mim. Porque no meu mundo isso não é perseguição, muito menos o meu “antigo” que vem me assombrar e me fazer repensar as novas escolhas... No meu mundo isso é algo mais bonito, é aquilo que todos esperam para dar sentido às suas vidas e fazê-los entender o porquê de tudo. No meu mundo isso é... DESTINO.

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