terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

- Não, obrigado. Não vou ficar...

"I need you, I need you so stay with me / These precious hours / Greet each dawn in open arms / And dream, into tomorrow"



Cheguei à pizzaria por volta de 11 horas da noite, já com um pouco de fome, apesar de ter certeza que já não era aquilo que me levara até ali. Pedimos um sabor qualquer de pizza e começamos a conversar sobre a vida de cada um, numa experiência meio impossível de nos entrosar.

Felipe mantinha-se calado, analisando tudo que era falado, talvez na tentativa de entender o que acontecia na mesa, enquanto André tentava de toda forma descobrir o que eu escondia, em meio a perguntas cabeludas e de duplo sentido. Consegui me sair bem de muitas delas, mas era inegável o fato de que outras me deixaram constrangido o suficiente para deixá-lo em dúvida quanto à veracidade de tudo que eu buscava afirmar.

Beeeep... Beeeep... Aquele barulho insuportável já começava a me irritar, principalmente por ser aquele barulho o motivo que tirava a atenção de Felipe de nossa conversa para aquele celular inquieto. As mensagens não paravam de chegar, e junto a elas somava-se o silêncio que Felipe fazia questão de manter...

- Vai querer alguma coisa pra beber agora, Felipe?

- Não, obrigado. Não vou ficar...

Agora sim as mensagens haviam me irritado de uma forma incompreensível. Como alguém pudera ter a ousadia de ligá-lo e, pior, tirá-lo de lá? O fato de conhecê-lo, teoricamente, há apenas um dia, não queria dizer que ele poderia simplesmente se levantar e sair dali, sem nem ao menos dizer para onde estava indo, e principalmente com quem estava indo, afinal, ele já era meu... apenas ainda não sabia.

Levou pouco menos de meia hora para que o Corolla preto parasse do outro lado da rua, um pouco depois do lugar onde estávamos. Felipe pediu licença e foi até o carro conversar com ele. Pouco tempo depois voltou, enquanto o Corolla se afastava lentamente... achava eu. Após uma breve despedida, Felipe dirigiu-se até o carro, que àquela altura já havia dado a volta e o esperava um pouco mais à frente.

Não demoramos muito para terminar o jantar e então resolvemos dar uma volta pela praça do centro da cidade. Para mim já não importava muito para onde estávamos indo ou o que iríamos fazer, afinal meu maior interesse já não tinha nem idéia de onde estávamos e, pelo visto, nem gostaria de saber.

Interessante ver como as coisas mudavam. Há poucas horas eu estava sem ninguém, preocupado demais com o que as pessoas pensavam sobre mim e o que era preciso fazer para que eu agradasse a todos. E pensar que peguei meu carro e permiti que duas pessoas desconhecidas o adentrassem, ou melhor, adentrassem minha vida... E agora eu tinha um novo motivo pra seguir em frente.

[...]

Interessante ver como as coisas não mudavam. Há poucas horas eu me preocupava com a opinião de um desconhecido, personificado por qualquer um que me olhasse e tentasse me compreender. As coisas realmente não haviam mudado, apenas meu desconhecido agora já tinha um nome: Felipe.

Um comentário:

  1. Muito foda seu jeito de se expressar. Sabe prender a pessoa, muito show!

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