quarta-feira, 4 de abril de 2012

Je t´aime


Aguentei o tanto quanto pude, mas o que acontecia ali fugia do lógico e do compreensível, e passava agora a ser constrangedor e humilhante, pois cada tentativa de aproximação resultava em uma exclusão mais e mais embaraçosa, e ainda assim continuava eu em minha caçada constante àquele que me tiraria de toda aquela situação vexatória.


Procurei por alguns minutos, e ao ter certeza que Felipe não mais voltaria, tampouco me procuraria, me entreguei ao choro. Ali mesmo, jogado na grama, em frente à memorável S-69, que após aquilo certamente seria agora memorável também para mim, talvez não pelos mesmos motivos alheios, mas ainda assim memorável.

Ali sim, entreguei-me ao choro, e mais: entreguei-me à derrota. Admiti ali que havia fracassado no meu plano de vingança, e agora de uma vez por todas era preciso por cabeça no lugar e pensar no que devia ser feito, porque com habilidade e atenção tudo é mutável, e tudo pode ser encaixado à qualquer modelo de vida que se planeje levar. 

Mas não agora, afinal aquela era hora do show, e de forma alguma eu podia passar despercebido depois de toda aquela situação constrangedora. Chorei, gritei, deitei. Ali ainda continuei soluçando, enquanto gritava repetidamente o nome de Felipe, esperando que algum bom samaritano chamasse-o ao meu encontro. Dito e feito. Felipe chegou sem nem ao menos eu dar conta, e enquanto gritava por seu nome ele dava voltas e voltas, tentando entender como aquilo havia fugido do controle e até onde eu poderia continuar com aquilo...

Continuei enquanto pude, continuei enquanto minha garganta pode gritar, enquanto o soluço não tomou conta da minha voz e enquanto ainda tinha consciência pra falar o que queria e reclamar do que não podia mais ter. Reclamei a quem queria ouvir, da forma que podia me expressar, sem pensar sequer em quem estava ao meu redor, tampouco o quanto eu estava me expondo à amigos e à desconhecidos. Reclamei dos amigos, também dos desconhecidos, só depois me dando conta de quem estava ao meu redor. 

Vi Felipe em meio às minhas lágrimas, e ainda pensei que poderia ele estar ali por simples educação. Devagar o choro foi parando. Devagar Felipe foi se aproximando. Devagar meus lábios se mexeram e algumas poucas palavras saíram: - Eu te amo, cara...

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