Realmente, aquela não era uma atitude que poderia ser imputada a alguém com o meu comportamento. Muito pelo contrário, já que eu nunca fui o tipo de pessoa que é passada para trás, muito menos daquelas que se machuca por qualquer besteira...
Não me acho irresistível, e hoje já não me interesso em agradar a todos que me rodeiam... Já me dei conta também que metade daqueles que me rodeiam talvez não gostem tanto de mim quanto aparentam, e isso já não me preocupa mais tanto quanto antes, quando a minha maturidade ainda não sabia o que era existência.
Mais aí é que mora o grande problema: opiniões deveriam ser pessoais, e como pessoais deveriam pertencer somente àqueles que as detenham. Pouco me preocupou o fato de Felipe não se impressionar com a minha aparência, e esse comportamento inclusive já era o esperado. O motivo da minha indignação residia no simples fato daquela justificativa ter servido de motivo humorístico para as gargalhadas que ambos soltavam, como se imaginassem que tudo aquilo de que agora eles riam só aumentava em mim a vontade de fazer o mundo dar a volta um pouco mais depressa. Vingança é um prato que se come frio, mas uma sopradinha de leve não tem problema nenhum...
Como já era previsível, a noite acabou ali pra mim... mas somente pra mim. Apesar de estar extremamente irritado com o rumo que as coisas haviam tomado, não havia no mundo pessoa mais sorridente que eu. A alegria emanava do meu rosto de uma forma que nem eu mesmo poderia acreditar ser possível, enquanto na minha cabeça milhões de planos mirabolantes passavam por um casting, em busca do plano perfeito para reverter aquela situação e ficar em paz com meu orgulho.
Orgulho não, porque parece que o mundo considera o orgulho um defeito gravíssimo. Sim, o orgulho mesmo, aquele que nos priva de situações constrangedoras e que nos impede de nos destruir e nos rebaixar por qualquer besteira que nem ao menos vale a pena. O orgulho que nos traz uma sensação de melhoria interna, de evolução consigo mesmo. Mas parece que isso não é o que o resto do mundo quer, já que esse mesmo orgulho que eu jamais faria questão de deixar de lado machuca e ofende a todas as outras pessoas. Então façamos como o resto do mundo: vamos encobrir o óbvio...
Já não quero ficar em paz com meu orgulho, mas “tenho amor próprio”. Brega!?! Não... politicamente correto.
Me considero muito orgulhoso e vingativo, não sei se isso é defeito, ou ao mesmo tempo qualidades...
ResponderExcluirForte abraço!