"I like to think that I was created /For a special purpose / You know? "
Não demorou muito para que a minha intimidade com André começasse a surtir efeitos, em sua grande maioria desagradáveis. André é o tipo de pessoa em quem você não pode confiar, fazendo parte daquele grupo de pessoas que se tornam insuportáveis depois de um tempo: pessoas que impõem-se aos outros como se fossem mais importantes, pessoas que dão a você uma falsa ilusão de confiança, para que na primeira oportunidade possam apontar-lhe o dedo e mostrar como elas teriam agido...
Em um misto de fúria e surpresa pelo qual estou passando agora, simplesmente iria dizer que não poderia culpá-lo, já que a sua personalidade de se enaltecer à custa das desgraças dos outros seria digna de pena, e seu comportamento seria apenas um mecanismo de escape de uma vida rebaixada e desvalorizada.
Mas não, não eu. Deixar para trás meu orgulho e minhas convicções sem medir as conseqüências já fora um grande erro, e tentar culpar os outros pelas conseqüências inesperadas seria, talvez, um erro maior. Agora era hora de encarar o problema, e tentar de todas as formas driblar os obstáculos que se impunham a minha frente, e que agora estavam maiores do que jamais os imaginei.
Difícil entender este meu desabafo? Não, não mesmo. Difícil seria não compreendê-lo, e mais difícil ainda seria dar razão a André... Difícil não, ouso dizer impossível, uma tarefa hercúlea, que nem o mais bravo dos homens teria a capacidade de realizar, por um simples e único motivo:
André realmente foi falar com Felipe, e realmente lhe perguntou tudo que lhe foi pedido por mim. Entretanto, as coisas não soaram exatamente da mesma forma que eu esperava ouvi-las, ou melhor, foram extremamente contrárias a todo que eu havia planejado... Embora tenham tentado afastar-se do grupo, não foi tarefa muito difícil aproximar-me e ouvir o conteúdo da conversa. Pudera eu não ter ouvido o que foi dito, e simplesmente tocar a vida em frente, de bem com todos e com a suposta idéia de conquistar Felipe.
Mas não, não eu. Eu fiz o possível e o impossível para escutar o que foi dito, e do fundo das árvores pude ver os lábios de Felipe mexerem-se, e mais fácil ainda foi compreender o que saía deles, até porque daquela distância até mesmo um sussurro poderia ser ouvido. O que foi dito foi doloroso, mas ao mesmo tempo curioso: “Claro que não, André, nem em sonho eu quero alguma coisa com aquele negócio”.
É, não soou muito bem aos meus ouvidos também. Muito pelo contrário: aquilo soou como uma apunhalada nas costas, não por Felipe, que culpa alguma tinha de minhas expectativas, mas pura e simplesmente uma apunhalada dada por mim mesmo, abrindo mão de meus princípios e dando aos outros a oportunidade de me ferir.
Realmente... a traição contra nós mesmos é a pior de todas, pois percebemos o quanto nos colocamos vulneráveis frente ao mundo, e ainda assim continuamos dispostos a correr riscos e nos apunhalar, sem nem ao menos questionar se o real motivo de tudo valeria tanto a pena quanto imaginávamos.
Porque a raiva de André? Pois bem, agora vem o mais surpreendente: a mim André pediu que continuasse com a tentativa insistente de conquistar Felipe, apesar de tudo que ouviu de Felipe. Pior ainda era ouvir o que era falado, ao mesmo tempo que lembrava as gargalhadas que a palavra "negócio" havia causado entre os dois, enquanto André perguntava quanto alguém podia ser idiota a ponto de achar que podia algo com algum deles.
Agora resta a mim o que sempre resta a todos: culpar-se pelo acontecido e tentar entender o que precisava ser feito para mudar rumo das coisas, ou então simplesmente sair por aí contando o que aconteceu, dizendo ter aprendido muito com o que aconteceu, além de ter percebido o quão aquilo era insignificante, o quão aquilo era desnecessário à minha vida.
Compreensível, para não dizer hilário e deplorável... Mas enfim, pelo menos que eu saia por cima, saia como se tudo tivesse saído conforme o planejado, e que agora bastava tocar pra frente e encarar aquilo como a confirmação de algo que eu já sabia. Simples, afinal era isso que todo mundo fazia...
Mas não, não eu.
To acompanhando agora. To muito curioso pela história que vc conta. Parabéns mesmo.
ResponderExcluirAs vezes as amizades os surpreende, fique de olho...
ResponderExcluirForte abraço!
meu blog http://meuamordavi.blogspot.com.br/
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